Paulo Portalete foi condenado por crime eleitoral
Preso no dia 6 de março do ano passado acusado de induzir pessoas que residiam em Guabiruba a transferirem os títulos eleitorais para Brusque, o advogado Paulo Portalete foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão. A decisão da juíza Quitéria Tamanini Vieira Pérez é contestada pelo advogado de defesa, Alessandro Simas.
Segundo Simas, o ex-secretário municipal de Comunicação e também de Cultura, Esporte e Juventude, que na época dizia não ser candidato a vereador pelo DEM, não teria elaborado uma falsa prova de residência em Brusque para os eleitores. Portalete, no entanto, admite, ainda de acordo com Simas, ter “convidado” os baianos às transferir os títulos e ter feito a transferência dos respectivos documentos eleitorais.
A prisão foi decretada para ser cumprida em regime semi-aberto, além do pagamento de uma multa. Alessandro Simas vai recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC)
Relembrando - Levado ao juiz Eleitoral Edemar Schlosser por policiais militares, Portalete recebeu voz de prisão no início da tarde daquela terça-feira (6), sendo conduzido à Delegacia de Polícia por uma guarnição do Pelotão de Policiamento Tático (PPT).
A denúncia de aliciamento contra Portalete chegou ao conhecimento da justiça eleitoral, que determinou aos funcionários do Cartório Eleitoral o acompanhamento da condução de Portalete até o juiz.
Junto foi apreendido um adolescente que havia sido conduzido por Portalete de Guabiruba para o Cartório Eleitoral em Brusque. Levado à presença do juiz, o jovem conversou demoradamente com o magistrado, enquanto um oficial de Justiça recolheu o aparelho celular de Portalete.
Após a conversa com o rapaz, o juiz deu voz de prisão a Portalete. Em conversa com a reportagem da Rádio Cidade, Portalete se defendeu afirmando que não é candidato a nada no pleito de outubro e não portava qualquer material de campanha política.
Portalete acrescentou ainda que agiu como qualquer outro cidadão, apenas orientando a um jovem eleitor sobre como este deveria proceder para fazer o primeiro título eleitoral. No depoimento, o jovem disse ao delegado Juscelino que Portalete o procurou para ser eleitor em Brusque, conseguido um documento que lhe daria residência nesta cidade.
Na época, o rapaz acrescentou que uma tia, que é eleitora do Paraná e que também reside em Guabiruba, teria recebido a mesma proposta por parte de Paulo Portalete. Segundo ainda o adolescente, no dia 4 de março outras pessoas teriam sido trazidas por Portalete ao Cartório Eleitoral, mesmos sendo moradores de Guabiruba.
Portalete, por ter nível superior de ensino, teve o direito a uma cela especial. Como a Delegacia não possuía tal recurso, ele foi transferido para o quartel da Polícia Militar, onde permaneceu preso até o dia 16 de maio de 2008..
Um dos envolvidos no caso foi o ajudante de pedreiro Gerval dos Santos Silva (20), natural de Itabuna (BA). Ele disse que foi convidado por Portalete com o argumento de que o eleitor teria que transferir o título para não ter que pagar uma multa. Em entrevista à Rádio Cidade, Gerval afirmou que Portalete teria dito que “tava saindo candidato a vereador (...) e se a gente (Gerval e os amigos) podia dar uma forcinha a ele”.
“Acabamos caindo nessa”, reconheceu Gerval, que afirmou ter comprovado o domicílio eleitoral por meio de um “folheto”. Diz ele: “Tinha um folheto lá, que todo mundo tava fazendo por aquele folheto. Aí passou todo mundo por aquele folheto que tinha lá”. Gerval disse ainda que não recebeu o título de volta.
“Ele (Portalete) pegou o título, disse que ia plastificar e aí levou. Depois que a gente ficou sabendo disso aí que aconteceu”, concluiu.


